O boom imobiliário não existe somente na construção de novos espaços residenciais ou comerciais: o trade turístico anda precisando de mais leitos, principalemente por causa da Copa que está chegando. Recente pesquisa divulgada pela revista Hotéis aponta que deverão ser investidos cerca de R$7,3 bilhões em novos hotéis no Brasil até 2014, totalizando 46.296 novos apartamentos e a geração de 31.729 empregos diretos.

A retirada das barracas de praia oferece a oportunidade de Salvador se reinventar de maneira mais consciente, estruturada e racional, trazendo benefícios para todos, inclusive turistas e, sobretudo, para os soteropolitanos. É fato que a cidade dispõe de uma organização turística que não supre as necessidades de quem mora ou visita a cidade.

Salvador é muito mais do que suas barracas de praia. As belezas naturais e a diversidade cultural são responsáveis por fazer da cidade um dos 31 lugares do mundo que merecem ser visitados em 2010, segundo o prestigiado jornal americano The New York Times. O Centro Histórico da capital, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade, preserva até os dias de hoje sobrados, solares, palacetes, igrejas e conventos construídos no período colonial. Da Praça Municipal, passando pelo Elevador Lacerda, Terreiro de Jesus, Praça Castro Alves, Mercado Modelo, Pelourinho, até chegar ao Largo de São Francisco, o turista entra em contato com a história não só da Bahia, mas do Brasil.

As histórias de Jorge Amado, um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos, podem ser conferidas na Casa de Jorge Amado, no Pelourinho. No Museu Carlos Costa Pinto, casarão em estilo colonial americano de uma das famílias mais tradicionais da história baiana, é possível conhecer um acervo de cerca de 3.000 obras de artes decorativas dos séculos XVII ao XX. E ainda, de frente para a Baía de Todos os Santos, na Avenida Contorno, o visitante pode apreciar o Museu de Arte Moderna (MAM), situado no Solar D’Unhão, sítio histórico construído no século XVII.

Sem esquecer os templos católicos, verdadeiras obras de arte da nossa cultura. Por exemplo, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco é o único exemplar no país com fachada em pedra lavrada, que tem origem no barroco espanhol. Outros dois preciosos modelos são a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, erguida pelos negros escravos, que a usavam também como cemitério, e na Sagrada Colina, a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, famoso cartão postal da cidade, que reverencia o protetor dos baianos.

Mas a Bahia não se resume à sua capital. O Estado oferece um leque de atrações diversificado, desde o turismo cultural, até o de aventura. Cada vez mais a região sul – as cidades de Porto Seguro, Arraial D’Ajuda e Trancoso – despertam a atenção dos visitantes, que contam ainda com as belezas da Costa dos Coqueiros e o Baixo Sul com Camamu, Itacaré e Maraú.

Ao lado das belezas naturais – das praias paradisíacas, aos canyons do rio São Francisco e Chapada Diamantina – o que faz da Bahia um Estado mágico é sua cultura, sua gente e seu modo de viver e encarar a vida.  Assim, a festa da Boa Morte em Cachoeira, a Feira de São Joaquim, as cidades históricas do recôncavo, o artesanato, o Carnaval e o São João são responsáveis por atrair pessoas de todo o Brasil não só na alta temporada, embora seja neste período o maior fluxo de visitantes.

Todos os atrativos, naturais e culturais, não garantem por si só o sucesso do turismo no Estado. É preciso maiores investimentos em infraestrutura e diversificar ainda mais os roteiros.  Neste contexto, vale atentar para outros problemas como a mobilidade urbana na capital e a melhoria da infraestrutura de portos e aeroportos, decisivos para aumentar também a competitividade do setor agroindustrial baiano.

Sabemos que a Bahia é rica culturalmente e tem tudo para despontar entre as regiões que mais lucram com o turismo histórico no mundo. Investir nesta importante indústria é investir na geração de emprego e renda para a população baiana e na melhoria da qualidade de vida.

Fonte: Revista Muito, 24/10/10

Principal vitrine turística e cultural da Bahia, o Centro Histórico de Salvador virou tema espinhoso da administração pública. Esvaziado, o bairro convive com críticas de abandono. Para definir estratégias de recuperação, a Prefeitura de Salvador, o Governo da Bahia e o Governo Federal implantaram, no fim de 2007, o Escritório de Referência do Centro Antigo. Coordenado pela arquiteta Beatriz Lima, 55, o órgão produziu o Plano de Reabilitação do Centro Antigo de Salvador, um documento de 343 páginas com 14 propostas para a área.

Muito – Muita gente crê que Centro Antigo de Salvador é apenas uma nova nomenclatura para Centro Histórico. Há diferença?

Beatriz Lima – Sim. Centro Histórico é a área tombada como patrimônio da humanidade. Tem cerca de 1km² e vai, mais ou menos, do Forte do Barbalho ao Mosteiro de São Bento e da Igreja de Santa Tereza à Baixa dos Sapateiros. Centro Antigo é uma área de 8 km², do Dique do Tororó à Baía de Todos os Santos e do Campo Grande ao Barbalho. É, mais ou menos, a cidade até 1930, definida pela legislação urbana como área de proteção contínua.

M – O escritório existe há 3 anos, período em que as críticas à situação do Pelourinho aumentaram. O que fez desde então?

BL – A questão dos centros das cidades esvaziados não é um problema só de Salvador. Todas as cidades grandes brasileiras estão com esse problema. Depois que a nova administração nos chamou para estudar a reabilitação do Centro Histórico, a primeira coisa que fizemos foi pegar todas as demandas feitas ao governo e colocar no papel, para que não ficassem falando de boca. Porque esse território (Centro Histórico) funciona como o Brasil em época de Copa do Mundo. Todo mundo é técnico de futebol, todo mundo tem uma opinião. Então, pegamos essas demandas e verificamos. Em função desse primeiro diagnóstico, criamos câmaras temáticas. Fomos conversar com pessoas representativas de vários segmentos, para que o plano de reabilitação fosse participativo. A partir daí contratamos consultores para estudar tecnicamente o que foi apontado como problema.

M – Há outros projetos em curso?

BL – Existem vários programas de habitação em desenvolvimento. Por exemplo, a Vila Nova Esperança na Rocinha. Já começaram as obras, são 64 famílias beneficiadas. Uma das proposições do plano de reabilitação é justamente atrair população para morar no Centro. Nessa região, houve um esvaziamento muito grande nos últimos 25 anos.

M – A respeito dessa idéia de as pessoas voltarem a morar no Centro: não há uma contradição com o mercado imobiliário de Salvador e o próprio planejamento municipal, que está levando a cidade cada vez mais para longe do Centro?

BL – Nós participamos do último Salão Imobiliário da Ademi para mostrar aos empresários o que é o Centro Antigo e que aqui há um nicho de mercado legal. É a área mais bem servida de transporte, tem rua, passeio, iluminação, tudo do ponto de vista da estrutura da cidade. Muitos lugares têm até fibra ótica. Então, o investimento público necessário para essa área é muito pequeno comparado com novas áreas. Outra atração é que muitas pessoas gostariam de morar aqui se houver moradias legais. O que precisa é de novas habitações. A gente mapeou, com a ajuda da universidade, as áreas com potencial habitacional nesse tecido urbano. Já cadastramos, porta a porta, cerca de 1.100 unidades imobiliárias. São ruínas, imóveis vazios e terrenos baldios. Se em cada uma der para fazer oito apartamentos, serão oito mil novas moradias. E deve dar ainda para mais. Terreno, com certeza, tem.

M- Qual é a reação dos empresários? Recuperar um prédio em ruína não é mais caro do que construir um edifício do zero?

BL – Tem que fazer várias contas. Há o custo urbano da expansão de redes de água e esgoto, pavimentação de ruas e assim por diante. Há o interesse público na recuperação do nosso patrimônio, nossa história. E o interesse das pessoas de morar aqui, que é perto de tudo. Nos imóveis mais antigos, principalmente os que estão em ruína, a vantagem é que só se recupera a casca. Parte desse recurso pode vir do Ministério da Cultura, que entende isso como recomposição da paisagem urbana. Então, acho perfeitamente adequado. Dentro do edifício, é possível fazer as reformas necessárias. Os empresários estão de olho aberto, sabem que existe esse nicho de mercado.

*Confira a entrevista na íntegra na Revista Muito do dia 24.10.10.

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Gustavo Brito, sócio da Brasil Brokers Brito&Amoedo, e André Piton, Diretor Geral da Cyrela NordesteOs sócios da Brasil Brokers Brito&Amoedo, Gustavo Brito e Claudio Cunha, e o Diretor Geral da Cyrela Nordeste André Piton,O mestre de cerimônias Rafael Cortez apresenta o lançamentoClaudio Cunha e Luciano Almeida, Diretor de Incorporação da Cyrela NordesteAndré Pithon, Diretor Geral da Cyrela Nordeste, Claudio Cunha, sócio da Brasil Brokers Brito&Amoedo, e Luciano Almeida, Diretor de Incorporação da CyrelaDSC_8447KIN_0002_943x627KIN_0700_943x627KIN_0698_943x627KIN_0696_943x627KIN_0694_943x627KIN_0691_943x627KIN_0690_943x627KIN_0688_943x627KIN_0678_943x627KIN_0675_943x627KIN_0673_943x627KIN_0671_943x627KIN_0669_943x627KIN_0665_943x627
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