Em 30 de outubro de 2007, o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol. Quatro anos depois, o que se vê é quase nada em termos de planejamento, com as maiores ações concentradas nas reformas de alguns estádios de futebol e construção de outros. No nosso caso, a Bahia, tem somente como ação em andamento, e que deve estar concluída até 2014, o estádio, a chamada Nova Arena Fonte Nova. Mas será que a cidade vai apenas se beneficiar de uma arena multiuso?

As divergências entre a prefeitura e o estado, aliadas à falta de planejamento, afinal em quatro anos não fizemos nada, podem comprometer um legado de alto valor para a cidade, principalmente com relação à mobilidade urbana, recuperação de áreas carentes, implantação de equipamentos e, além disso, a oportunidade de Salvador ter sua imagem divulgada no exterior como local atrativo para investimento, dado a uma infraestrutura tecnológica, de lazer e turismo, que poderíamos construir. Seria uma perda para a cidade termos apenas um estágio de futebol como legado da Copa.

Instituições classistas, quer de patrões e de empregados, deveriam se manifestar sobre o assunto, que abrange a vida de todos nós que moramos em Salvador, hoje um local bastante castigado e que pouco atrativo oferece, quer seja para o turista, quer seja para os baianos. Não fosse o mercado imobiliário, que cria espaços organizados e de boa qualidade de vida, estaríamos em situação bastante difícil, embora haja quem coloque na expansão imobiliária a culpa por termos um sistema de transporte absoleto.

Os especialistas em projetos de megaeventos sustentam que esses empreendimentos podem acelerar ações de desenvolvimento social e renovação urbana, que demorariam para serem executadas, sem um ambiente favorável ( como é o caso da Copa de 2014).  Segundo eles, desde a década de 90 para cá, as cidades que sediaram Mundiais e Jogos Olimpícos se beneficiaram ao responder às suas necessidades domésticas de reestruturação do tecido da urbe, de modelos de consumo, turismo, lazer e mobilidade urbana. O maior exemplo é o legado de Barcelona. A cidade sediou as Olimpíadas de 1992 e se transformou.

Em entrevista para o jornal O Globo (9/10/09), Manuel Herce Vallejo, urbanista espanhol que participou das transformações de Barcelona para Olimpíadas de 1992, disse que Barcelona se tornou, pela mídia internacional, uma das seis cidades mais interessantes para se investir. Para ele, o menor legado foi em relação às instalações esportivas, mas sim, dentre outras, a renovação da cidade, a recuperação da costa e da praia e a revitalização dos bairros. Os Jogos Olímpicos de Verão de 2012, oficialmente conhecidos como Jogos da XXX Olimpíada, serão realizados na cidade de Londres, de 27 de julho a 12 de agosto de 2012.

O professor da Universidade de East London Gavin Poynter, que acompanhou todo o projeto da candidatura da cidade para a Olímpiada de 2012, evidenciou aos organizadores da Copa 2014 no Brasil o que garantiu a escolha de Londres: “Apresentamos a visão de uma Olimpíada que não representaria apenas uma celebração do esporte, mas uma força de regeneração. Os Jogos irão transformar uma das mais pobres e carentes áreas de Londres. Serão criados milhares de empregos, erguidas milhares de moradias e oferecidas novas oportunidades de negócios”, destacou.

O planejamento dos ingleses, que estão com seu calendário de obras em dia e sua planilha de gastos sob controle, chegou ao esmero de construir um estádio com uma parte permanente e outra temporária para que, após os Jogos, o espaço originalmente destinado ao atletismo possa ser adaptado, sem custos, para o futebol – verdadeira demanda dos moradores locais, com rentabilidade garantida.

Porto Trapiche Residence, Manhattan Ofice Square, Villaggio Panamby, Complexo residencial Iberostar, Shopping Center Lapa. É com o criador destes projetos, o arquiteto Ivan Smarcevscki, que o blog da Brito&Amoedo conversa hoje. Smarcevscki fala sobre mobilidade, empreendimentos ecosustentáveis e arquitetura. Graduado pela Universidade Federal da Bahia em 1973, Ivan elabora trabalhos de planejamento e projetos de arquitetura urbana, residencial e empresarial. Entre as premiações de seu escritório, estão o Prêmio de Arquitetura Coorporativa 2005 e o Prêmio ADEMI Bahia 2005.

(B&A): A tendência de empreendimentos multiuso na cidade vai continuar?

Ivan Smarcevscki: Sim, é uma tendência mundial nos grandes centros urbanos. Este tipo de empreendimento diminui a necessidade de grandes deslocamentos das pessoas facilitando substancialmente o fluxo de veículos na cidade, além de propiciar praticidade no dia-a-dia, centralizando todas as atividades num só lugar.

(B&A): Quais suas expectativas para a Copa do Mundo de 2014? Salvador estará preparada para receber o evento?

Ivan Smarcevscki: A cidade vive atualmente uma crise urbana de enormes proporções, entretanto se todos os projetos previstos forem desenvolvidos, teremos muito trabalho pela frente com o aquecimento do mercado de políticas urbanas, e em 2014 teremos uma cidade realmente preparada para a Copa do Mundo.

(B&A): Como o senhor vê o mercado de arquitetura em Salvador? Está saturado ou existe carência de profissionais?

Ivan Smarcevscki: Com o aumento considerável de profissionais colocados no mercado pelas diversas universidades, tenho certeza que o mercado, para esta turma de recém formados, deve estar complicado se pensarmos em termos de escritórios de arquitetura. Para arquitetos que se inserem nos mercados de construção ou de arquitetura de interiores, não vejo saturação, já que estes têm crescido muito nos últimos anos.

Brito&Amoedo (B&A): Quais as novidades tecnológicas que tem mais impactado na arquitetura, no novo jeito de projetar?

Ivan Smarcevscki: Todos os mecanismos e materiais que reduzam impacto ambiental e consumo, além da reutilização dos recursos naturais, principalmente água e energia.

(B&A): Existe algum projeto ou desafio que o senhor ainda não realizou e gostaria de realizar?

Ivan Smarcevscki: Sempre existem projetos que sonhamos em realizar um dia, porém muitos deles ficam mesmo no plano dos sonhos, ou simplesmente no papel. No entanto, tenho agora um projeto muito especial, que espero conseguir realizar, mas por enquanto não posso divulgá-lo.

(B&A): Entre os seus trabalhos, quais os mais marcantes?

Ivan Smarcevscki: Tenho feito trabalhos que marcaram muito minha vida profissional, porém ultimamente realizei dois trabalhos na área de hotelaria que para mim foram especiais: o Kiaroa Beach Resort e o Vila Galé Marés, ambos receberam prêmios nacionais e internacionais. Na área multiresidencial, o Porto Trapiche Residence, na Av. Contorno, foi um projeto que me deu muita satisfação em realizar.

(B&A): A sustentabilidade nas construções é uma tendência crescente, existe  mercado para construções sustentáveis na Bahia?

Ivan Smarcevscki: Não estamos preparados. Sustentabilidade não é apenas conservação de recursos naturais, ela engloba tudo, desde o início do processo construtivo, como por exemplo, o tempo que demanda o transporte de materiais. Salvador vive um momento de caos urbano, não se consegue transportar de maneira eficiente dentro da cidade, o que gera um maior consumo energético. A sustentabilidade começaria então por um melhor planejamento urbano, principalmente no que se refere à mobilidade. Assim sendo, a tendência do mercado tomaria rumos sustentáveis mais pautados na realidade do seu significado.

(B&A): Quais os desafios que os arquitetos enfrentam para atender todas as especificações de empreendimentos eco?

Ivan Smarcevscki: Assumir uma nova forma de projetar, afinal um projeto verde é bem mais complexo que um projeto comum, principalmente o custo, que fica em torno de 15% mais caro segundo especialistas. O maior desafio, a meu ver, é a viabilidade econômica.

Eleita Empresa Revelação do Ano no Prêmio Ademi 2010, a MVL Incorporadora atua no mercado baiano desde 1999, quando foi fundada pelo engenheiro civil Carlos Alberto Vieira Lima e o economista Marcos Vieira Lima, entrevistado pelo blog da Brito&Amoedo. O sócio-diretor Marcos Vieira Lima fala sobre as expectativas para 2011, Copa do Mundo e a importância de investir na melhoria da qualidade de vida de seus trabalhadores, além de comentar os próximos investimentos da MVL na orla e no centro da cidade. Confira!

Brito&Amoedo (B&A): Quais as expectativas para o mercado imobiliário nos próximos anos?

Marcos Vieira Lima (MVL): O que vejo para os próximos anos é um mercado mais estável, maduro e consciente, buscando tanto imóveis com boa localização, diferenciados, quanto aqueles voltados para atender as classes C, D e E, através da continuidade e desenvolvimento do Programa Minha Casa, Minha Vida.  O momento do “oba-oba” chegou ao fim, os compradores estão cada vez mais conscientes de suas necessidades e não compram baseados na emoção, por isso as vendas são mais lentas, porém mais consistentes. Tenho certeza que os próximos anos serão positivos, porque serão mais adequados à realidade.

B&A: E a Copa do Mundo?

Marcos Vieira Lima (MVL): Pensando na Copa do Mundo a expectativa é de que haja um crescimento nos lançamentos voltados para atender os turistas, como apart-hotéis e hotéis, e uma valorização do entorno da Fonte Nova. As obras de infraestrutura como a Via Expressa vão desafogar o trânsito, gerando maior mobilidade e novos vetores de crescimento da cidade

B&A: Quais as regiões se desenvolverão como vetores de crescimento da cidade?

Marcos Vieira Lima (MVL): Eu acredito na região do Cabula, Brotas, e empreendimentos econômicos de pequeno e médio porte em bairros tradicionais como Nazaré, Barbalho, Politeama e Ribeira, devido a escassez de ofertas nestas regiões e uma alta demanda reprimida. A médio e longo prazo a BR 324 se tornará um dos grandes vetores da cidade. Caso a ponte entre Salvador e a Ilha de Itaparica saia do papel a grande área de crescimento será a própria Ilha.

B&A: A MVL vai investir em que áreas de Salvador?

Marcos Vieira Lima (MVL): Faremos dois lançamentos este ano. Um na região entre o Barbalho e Nazaré, que são áreas tradicionais e outro na orla, no Jardim Armação. O primeiro buscando atender a demanda por produtos econômicos e o segundo com foco em investidores e pessoas que buscam seu primeiro imóvel, mas não abrem mão de empreendimentos diferenciados e com vista para o mar.  

(B&A): A MVL foi eleita Empresa Revelação do Ano no Prêmio Ademi 2010. A que se deve esta conquista?

Marcos Vieira Lima (MVL): O Prêmio é uma votação dos incorporadores do mercado baiano, que analisam e julgam se a empresa é ou não merecedora. A meu ver a MVL venceu pelo seu bom histórico. Em 2009 durante o Salão de Negócios Imobiliários da Bahia, o Seven foi vendido em 72h, um recorde,  neste mesmo ano fizemos a entrega do Ondina Residence, no bairro de Ondina. Além da boa avaliação das obras do Máximo Club Residence, que está 85% comercializado, e tem entrega marcada para março de 2012.

(B&A): A empresa investiu no segmento econômico. Esta é uma tendência que vocês vão seguir?

Marcos Vieira Lima (MVL): Nós diversificamos, tanto o Ondina Residence como o Seven são voltados para um público investidor, enquanto o Máximo Club Residence é voltado para um perfil econômico plus. Continuaremos atuando nestas duas linhas.

(B&A): Cada vez mais o tema sustentabilidade esta na pauta e é um diferencial para as empresas da construção. O que vocês tem feito nos seus empreendimentos no sentido de serem mais sustentáveis?

Marcos Vieira Lima (MVL): A MVL está sempre preocupada com a sustentabilidade de seus empreendimentos. Utilizamos gás natural, madeira certificada, descarte correto do entulho, medição de água individual, aquecimento solar entre outras soluções, sempre pensando no quesito sustentabilidade. Apesar de ainda não desenvolvermos um empreendimento totalmente verde, procuramos minimizar o impacto de cada obra. O mercado ainda não absorve este tipo de empreendimento, pois é muito diferenciado, com o uso de mais tecnologia e com um alto valor agregado. Nós defendemos esta bandeira e estamos caminhando passo a passo com ações pontuais para que quando o mercado possa absorver um empreendimento sustentável investirmos neste nicho. Além disso, nossas obras, desde o início, têm a preocupação de oferecer aos seus trabalhadores a melhoria na sua qualidade de vida. Como, por exemplo, com projetos de elevação da escolaridade. Já tivemos trabalhadores que conseguiram se alfabetizar e atingir a quarta serie premária dentro dos nossos canteiros. Também destacamos ações de saúde e segurança no trabalho como a vacinação, dentista nas obras e palestras de vários temas. Cuidar dos seus também é ser sustentável e a MVL já desenvolve estas ações há bastante tempo.

Nós estamos correndo para resolver os problemas imediatos para recebermos a Copa do Mundo em 2014, mas não podemos adiar mais uma vez o planejamento a longo prazo da cidade de Salvador. Nossa cidade deve ser planejada pelo menos para os próximos 30 anos. Hoje, os dados indicam que, em 2030, grande parte da população – cerca de 91% – estará habitando na zona urbana. Isso devido à mecanização cada vez maior de nossa agricultura e à falta de oportunidades de emprego e melhor qualidade de vida para a população rural. Até lá, a população vai superar a casa dos 4 milhões de pessoas e teremos mais de 1 milhão de automóveis circulando na cidade. Então, não seria o momento de intensificar as mudanças que serão feitas e pensar o planejamento de Salvador para atender a um futuro próximo?

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Gustavo Brito, sócio da Brasil Brokers Brito&Amoedo, e André Piton, Diretor Geral da Cyrela NordesteOs sócios da Brasil Brokers Brito&Amoedo, Gustavo Brito e Claudio Cunha, e o Diretor Geral da Cyrela Nordeste André Piton,O mestre de cerimônias Rafael Cortez apresenta o lançamentoClaudio Cunha e Luciano Almeida, Diretor de Incorporação da Cyrela NordesteAndré Pithon, Diretor Geral da Cyrela Nordeste, Claudio Cunha, sócio da Brasil Brokers Brito&Amoedo, e Luciano Almeida, Diretor de Incorporação da CyrelaDSC_8447KIN_0002_943x627KIN_0700_943x627KIN_0698_943x627KIN_0696_943x627KIN_0694_943x627KIN_0691_943x627KIN_0690_943x627KIN_0688_943x627KIN_0678_943x627KIN_0675_943x627KIN_0673_943x627KIN_0671_943x627KIN_0669_943x627KIN_0665_943x627
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