Há um adágio popular muito ignorado, mas de uma espantosa clareza e igualmente a conceituação. Diz o ditado: o barato sai caro. Na construção civil, mais especificamente no campo da edificação de imóveis, seja residencial ou comercial, a baixa produtividade da mão de obra tem gerado custos e solapado resultados financeiros, impondo às empresas dificuldades e mesmo perdas irreparáveis.

Apesar dos avanços do setor, em termos de materiais e técnicas construtivas, grande parte das edificações ainda utiliza mão de obra de baixa qualificação profissional, bem como pouca mecanização, e  processos construtivos convencionais, com o emprego de técnicas simples.

Esse quadro não se fez presente agora, vem se dando ao longo do tempo, mas evidenciou-se com o boom imobiliário vivido pela indústria da construção civil, que de repente se deu conta do grande prejuízo que é causado pela baixa produtividade, quando se está num ambiente de produção em massa e não mais de um ou dois empreendimentos. Atrasos na entrega de obras, elevação de custos em modelo aspiral e o déficit no quesito qualidade têm consumido as empresas, mas mesmo assim ainda se valem do argumento, em ordem inversa ao ditado popular, de que o barato não sai caro.

Essa posição talvez esteja ligada a uma máxima que se fixou no universo do trabalho no Brasil, na qual o setor da construção civil é o repositório do operariado de baixa qualificação e em grande escala, o que coloca de escanteio a noção de indústria. Ainda subsiste a crença de que a mão de obra barata é capaz de gerar bons resultados. A realidade desmente essa convicção, mas não é suficiente para reverter o quadro, pelo menos por enquanto.

O que mais chama atenção nesse processo é que o setor da construção civil tem avançado em termos de novas tecnologias, abrangendo materiais e componentes, pesquisa e difusão de novas técnicas construtivas, que efetivamente geram ganhos de produtividade, a exemplo da utilização de painéis metálicos e vidro em fachadas, dry wall, estruturas de aço etc. Contudo, o emprego é parcimonioso e está escorado na convicção de que o método tradicional de construção é mais barato.

É evidente que a adoção de novas técnicas, novos materiais e melhoria no processo construtivo têm como efeito menos trabalho realizado no canteiro de obras, menos operários e aumento no planejamento e desenvolvimento dos produtos e consequentemente na sua qualidade. Com isso uma parte substancial do trabalho artesanal, típico da construção civil será substituída pela montagem de componentes, que requer menos esforço físico e novas competências. Nos países desenvolvidos, especialmente nos Estado Unidos, a construção civil é industrializada e, ao contrário do Brasil, emprega pouca mão de obra.
A racionalização do sistema de construção tem uma maior amplitude e se dá de forma que a coordenação entre projeto, planejamento, execução, obra, central de componente e comercialização substituem a racionalização parcial, que apenas enfoca as atribuições envolvidas com o processo de produção. Desse modo, fica evidente que a natureza industrial da construção civil deve estar ligada a uma articulação produtiva mais ampla que a aplicação do conceito de repetição e produção em série.

Analisando o assunto, a consultoria McKinsey constatou, há alguns anos, que a produtividade da mão de obra do segmento da construção habitacional brasileira, no geral, representava apenas 35% da norte-americana, chegando a pífios 20% nas obras de casas populares. Com o avanço da economia brasileira, que tem proporcionado ganhos de renda ao trabalhador, cada vez mais a construção civil, moldada em termos de barato que satisfaz, ficará distante do conceito de indústria e próxima de uma zona perigosa, indutora de baixa produtividade e resultados desastrosos.

Fonte: Tribuna da Bahia

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Gustavo Brito, sócio da Brasil Brokers Brito&Amoedo, e André Piton, Diretor Geral da Cyrela NordesteOs sócios da Brasil Brokers Brito&Amoedo, Gustavo Brito e Claudio Cunha, e o Diretor Geral da Cyrela Nordeste André Piton,O mestre de cerimônias Rafael Cortez apresenta o lançamentoClaudio Cunha e Luciano Almeida, Diretor de Incorporação da Cyrela NordesteAndré Pithon, Diretor Geral da Cyrela Nordeste, Claudio Cunha, sócio da Brasil Brokers Brito&Amoedo, e Luciano Almeida, Diretor de Incorporação da CyrelaDSC_8447KIN_0002_943x627KIN_0700_943x627KIN_0698_943x627KIN_0696_943x627KIN_0694_943x627KIN_0691_943x627KIN_0690_943x627KIN_0688_943x627KIN_0678_943x627KIN_0675_943x627KIN_0673_943x627KIN_0671_943x627KIN_0669_943x627KIN_0665_943x627
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