
Há um adágio popular muito ignorado, mas de uma espantosa clareza e igualmente a conceituação. Diz o ditado: o barato sai caro. Na construção civil, mais especificamente no campo da edificação de imóveis, seja residencial ou comercial, a baixa produtividade da mão de obra tem gerado custos e solapado resultados financeiros, impondo às empresas dificuldades e mesmo perdas irreparáveis.
Apesar dos avanços do setor, em termos de materiais e técnicas construtivas, grande parte das edificações ainda utiliza mão de obra de baixa qualificação profissional, bem como pouca mecanização, e  processos construtivos convencionais, com o emprego de técnicas simples.
Esse quadro não se fez presente agora, vem se dando ao longo do tempo, mas evidenciou-se com o boom imobiliário vivido pela indústria da construção civil, que de repente se deu conta do grande prejuÃzo que é causado pela baixa produtividade, quando se está num ambiente de produção em massa e não mais de um ou dois empreendimentos. Atrasos na entrega de obras, elevação de custos em modelo aspiral e o déficit no quesito qualidade têm consumido as empresas, mas mesmo assim ainda se valem do argumento, em ordem inversa ao ditado popular, de que o barato não sai caro.
O que mais chama atenção nesse processo é que o setor da construção civil tem avançado em termos de novas tecnologias, abrangendo materiais e componentes, pesquisa e difusão de novas técnicas construtivas, que efetivamente geram ganhos de produtividade, a exemplo da utilização de painéis metálicos e vidro em fachadas, dry wall, estruturas de aço etc. Contudo, o emprego é parcimonioso e está escorado na convicção de que o método tradicional de construção é mais barato.
Analisando o assunto, a consultoria McKinsey constatou, há alguns anos, que a produtividade da mão de obra do segmento da construção habitacional brasileira, no geral, representava apenas 35% da norte-americana, chegando a pÃfios 20% nas obras de casas populares. Com o avanço da economia brasileira, que tem proporcionado ganhos de renda ao trabalhador, cada vez mais a construção civil, moldada em termos de barato que satisfaz, ficará distante do conceito de indústria e próxima de uma zona perigosa, indutora de baixa produtividade e resultados desastrosos.