Por Luiz Augusto Amoedo


A decisão da Caixa em alongar o prazo de financiamento da casa própria e reduzir os juros surpreendeu o mercado imobiliário, por se tratar de uma medida que efetivamente demonstra que o governo se voltou para um setor da economia que não somente gera emprego, como tem rebate sobre uma extensa cadeia produtiva, que vai desde a cerâmica, passando pelo cimento até a indústria de alumínio.

Por diversas vezes chamei a atenção aqui dessa coluna que o setor da construção civil e especialmente do mercado imobiliário tem forte presença significativa na economia brasileira, principalmente pelo fato de estar imune à variação cambial, portanto, com maior poder de movimentar o mercado interno.

Mas se a decisão da Caixa surpreendeu o mercado imobiliário é porque muita gente desconhece, por exemplo, que nos Estados Unidos trabalha-se com hipotecas imobiliárias de 50 anos, e claro, com juros bem baixos, o que possibilita o cidadão a comprar o imóvel num longuíssimo prazo, com prestações inferiores a um aluguel e adquirir um bem que será incorporado ao patrimônio da família ao longo de várias décadas.

No Brasil ainda persiste a cultura da casa própria como algo que deve ser realizado de imediato, mas aos poucos vamos migrando para o mundo da hipoteca, que tem tanto valor quanto a quitação do imóvel.

No entanto, se o alongamento do prazo é importante na compra da casa própria, mais ainda se torna a diminuição do juro, e esse ponto é essencial para desenvolvermos a cultura da hipoteca no mercado imobiliário. Se o governo continuar a cortar os juros do financiamento imobiliário, assim como vem reduzindo a Selic, em breve teremos um mercado consistente que crescerá de acordo com a demanda e sem pressionar o orçamento da família ou do cidadão.
Nesse momento quem pegar um financiamento de R$ 250 mil na Caixa para comprar um imóvel, num prazo de 35 anos, estará contratando juros efetivos de 7.7999% ao ano e mais a Taxa Referencial, a TR.

Nesse cenário a primeira prestação ficará na casa dos R$ 2.266 e a última R$ 623,98. Agora vejamos a diferença que faz a queda dos juros. Se operarmos o mesmo valor de financiamento mas com juros de 8.2999%, mais a TR. A prestação inicial aumenta para R$2.363,06, enquanto a última parcela fica na casa dos R$ 624.21.

A diferença dos juros nos dois exemplos citados é de 0,4 ponto percentual, entre 7.7999%  e 8.2999%. Em termos de valores, a economia na prestação é de R$ 97,02. Ou seja, qualquer redução de juros no financiamento imobiliário, por menor que seja, impacta fortemente no financiamento.
Em todos esses anos de financiamento imobiliário é a taxa de juro mais baixa já praticada no Brasil, aliada a um alongamento de prazo, também nunca visto. Qualquer turbulência que venha a ocorrer na economia europeia e que respingue no país não afetará os financiamentos já contratados no prazo de 35 anos e seu respectivo juro.

Se ocorrer uma redução dos juros para digamos 6% ao ano há a possibilidade de se utilizar a portabilidade. Ou seja, juros e prazo conspiram a favor da compra da casa própria. A oportunidade faz a ocasião.

Fonte: Tribuna da Bahia

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